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Amargo o chocolate da vez


Você adora chocolate? Só os muito estranhos não amam essa iguaria, e essa é uma boa notícia para a humanidade, pelo menos se a paixão for dedicada às versões amargas. O coração agradece. Pesquisadores da Universidade de San Diego, na Califórnia, nos Estados Unidos, avaliaram 31 voluntários que tinham a dura tarefa de comer 50 gramas de chocolate todos os dias, durante 15 dias. Parte deles consumiu chocolate amargo (com 70% de cacau em sua composição), parte o que chamam de baking chocolate (uma variedade que usa apenas o liquor, obtido pelo refino da massa de cacau), e um terço chocolate branco, que tem 0% de cacau. A pressão sanguínea e a quantidade de lipídeos e glucose no sangue de todos eles foram medidas no começo e no final do experimento. Os grupos que consumiram tanto o chocolate amargo quanto o baking chocolate apresentaram uma queda nos níveis de glucose e do colesterol LDL (conhecido também como "mau colesterol") e um aumento no colesterol HDL (o "bom colesterol") enquanto no caso dos consumidores de chocolate branco não houve alteração. Ponto para o chocolate amargo.

Essa pesquisa, divulgada em abril de 2012, faz coro com várias outras que decantam as propriedades terapêuticas do doce. "O consumo ajuda na redução da formação de placas de gordura, no controle da pressão arterial e melhora o fluxo sanguíneo", diz a nutricionista Camila Ragne Torreglosa, do setor de nutrição preventiva do Hospital do Coração (SP). "Mas esse benefício só é obtido se o chocolate tiver acima de 70% de cacau e for consumido dentro de uma alimentação equilibrada. Ou seja, não adianta nada comer chocolate amargo no meio de uma dieta que, basicamente, é rica em gordura saturada, trans, açúcar e um monte de produtos industrializados", completa a especialista.

DE OLHO NAS EMBALAGENS

O que observar na hora de comprar um chocolate:

○ Prefira as versões que têm entre 50% e 80% de cacau.

○ Se escolher os que têm confeitos, lembre-se que eles aumentam as calorias sem acrescentar valor nutricional.

○ Os que levam castanhas são ótimos tanto do ponto de vista nutricional quanto de proteção do coração. "As castanhas são fonte de gorduras boas", explica a nutricionista Roseli.

○ Dê preferência aos chocolates vendidos em porções individuais, pois assim fica mais fácil controlar a quantidade consumida.

○ Fique de olho no rótulo para verificar a presença de gordura trans ou gordura hidrogenada. Se esses ingredientes estiverem presentes, perca mais tempo para escolher outro tipo.

Mais do que antioxidante

A maior parte dos benefícios trazidos pelo chocolate vem dos flavonoides (chamados catequinas e proantocianidinas), que são antioxidantes naturais. Mas o alimento também é uma fonte importante de potássio e magnésio, minerais envolvidos principalmente na força muscular. Quanto mais processado for o chocolate, menor a quantidade de substâncias ativas que fazem bem ao organismo. "O chocolate ao leite contém cerca de quatro vezes menos flavonoides do que o amargo", explica a nutróloga Melanie Rodacki, do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). "Por outro lado, por conter leite, é fonte de cálcio", completa Melanie. O mineral é importante para os ossos, apesar de não ter papel na proteção do coração. O chocolate branco é uma boa fonte de cálcio mas, não se engane, pois esse tipo não apresenta nada de cacau em sua receita.

Não se deve esquecer que, embora saudável, o chocolate é extremamente calórico. Na média, são 120 calorias em cada porção de 25 gramas. Por isso, não é para empanturrar-se. "Cerca de 40 gramas três vezes por semana são mais do que suficientes para obter todos esses benefícios sem comprometer a silhueta", diz o nutrólogo Durval Ribas Filho, presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran).

Fonte: Revista Viva Saúde


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